terça-feira, 8 de setembro de 2009

babuska

leminski e as babuskas

artesanato



fotos do largo da alfândega em floripa
Minha família é grande. Meus pais tiveram dez filhos e o ambiente cultural durante minha infância e adolescência foi muito rica. Meu pai trabalhava no exército e depois que se aposentou foi trabalhar na confecção com minha mãe. Eles tinham uma fábrica, uma loja em Florianópolis e outra em Camboriú. Quando eu era criança lembro de ir passar as férias em Camboriú, um balneário lotado de argentinos e mulheres com sombra azul nos olhos mesmo quando iam à praia. Bons tempos aqueles, apesar da praia já estar poluída e ter tudo o mais que o desenvolvimento sem sustentabilidade nos dá de brinde: violência, drogas, etc... Lembro que próximo à loja da minha mãe tinha uma loja de artesanato. Lá tinha artesanato do Brasil todo. Muitas peças de cestaria, cerâmica, madeira entalhada, cabaças, metais, enfim, uma quantidade de coisas enorme e que passávamos o verão todo indo lá diariamente e nunca cansávamos de descobrir os significados. Adorava os bonecos, adereços e teares do nordeste. Como eu sabia que eram do Nordeste? Não sabia ao certo, mas sabia que cuias de chimarrão eram do Sul e que outros objetos eram de outras partes. Assim como eu escutava as músicas em casa, ouvia o sotaque de Cartola e sabia que ele era carioca. Meu pai é de Curitiba, minha mãe de Campos novos, casaram-se em Lajes e muitos irmãos nasceram lá. Minha irmã Jenice nasceu em Florianópolis, eu em Joinville três anos depois e Lucila em Curitiba 1 ano e 8 meses depois de mim. Em Florianópolis fomos definitivamente fincar raízes e é lá que eu sinto uma identificação maior com a cultura local. Lembro do Boi de mamão, das lendas folclóricas e das muitas histórias coletadas por Franklin Cascaes e que meu irmão Marcelo divulgava através de seu trabalho no Grupo Engenho. Ele e os outros integrantes mergulhados na tradião folclórica agora fazem parte da tradição. Artesanato e Identidade Cultural Para mim artesanato é uma técnica que o artesão possui, só ele consegue fazer daquele jeito e somente o local que ele vive e como ele vive pode gerar aquele significado. Uma maricota feita pelo pescador lá na Tapera carrega consigo elementos simbólicos que destaca a origem do artesão. O mesmo pescador pode fazer essa Maricota com tanto capricho e destreza manual que o torna um artista popular. E ele pode também produzir um molde com o modelo da Maricota e produzí-lo em séries para uma grande distribuidora. Ou pode fazer uma pequena série de cada vez para vender no Largo da Alfândega. Ele pode seguir a linha tradicional, fazendo uma Maricota tradicional ou já pensando em inovação ele pode desenvolver um material novo e uma cara nova para a Maricota, desenvolver conceitos contemporâneos, ou seja, as possibilidades são infinitas. Existe um Termo de Referência para o artesanato, formulado pelo Sebrae em 2004 e que define o artesanato pelo uso, destino e matéria-prima. Este termo é um pontapé inicial para se organizar um desenvolvimento de produto nessa área. A partir do Termo de referência do Sebrae, fiz uma organização que faz mais sentido pra mim, com categorias definidas por tipo de pesquisa, tipo de produção e tipo de material. Tipos de pesquisa Para desenvolver um artesanato é necessário que o ponto de partida seja a identidade cultural, que é caracterizada pelos ritos, língua, religião, festas, costumes, mitos, folclore, fauna, flora, lendas, costumes e que esse conjunto de elementos possam dar uma cara única e exclusiva. É um proceso dinâmico, Assim, se quisermos ver o que há de identidade cultural em um local, devemos abrir os olhos para aqueles que transformaram esse local no que ele é hoje. 1. Pesquisa de matéria-prima Pesquisa sobre materiais utilizados no local. Em Curitiba, por exemplo, podemos citar a palha de trigo, o pinhão, a madeira, os ovos, a cera e muitos outros materiais característicos. Em Florianópolis temos o barro e argila, cabaças, rendas de bilro, conchas, escamas de peixe, fibras de bananeira, etc... 2. Pesquisa da forma Formas, estampas, cores e elementos que identificam culturalmente a região. 3. Pesquisa da origem Todo convívio social e troca de experiências gera conhecimento que distingue aquele que o possui.Como os habitantes de uma região se relacionam com os elementos que fazem a composição cultural depende muito da origem desses elementos. È preciso que o artesanato tenha influência do caldo cultural que lhe dá origem. O artesão que se distancia da sua origem, perde o fio dos significados, símbolos e signos e em conseqüência perde o poder de criação. Tipos de técnica As técnicas de artesanato estão profundamente ligadas a riqueza e complexidade do artesanato. 1. Técnica de herança Caracteriza-se pela transmissão de uma técnica que passou de pai para filho e que pouco se altera nessa transmissão. É uma técnica pura como, por exemplo, a renda de bilro. 2. Técnica pessoal a partir da herança Caracteriza-se pela técnica tradicional com mudanças de matéria-prima ou forma, dando uma cara pessoal única e intransferível ao artefato ou objeto produzido. 3. Técnica banal Técnica adquirida e multiplicada em várias partes do mundo da mesma maneira como, por exemplo, cachecol de lã feito à mão com um ponto comum. 4. Técnica de planejamento de produção Caracteriza-se pela utilização de planejamento e controle de produção em com responsáveis pela produção que dominem apenas uma parte da técnica. Exemplo? Fabricação de luminárias de papel artesanal: uns fazem o papel, outros montam a estrutura e outros montam, a luminária. Tudo dentro da mesma oficina. 5. Técnica conceitual Caracteriza-se pela utilização de projeto de desenvolvimento de produto, onde as idéias são exploradas com o propósito de gerar conceitos e síntese para a criação de peças que causem um impacto naqueles que as conhecerem. Como exemplo, os cactus da Taís Ueda, de São Paulo.

domingo, 6 de setembro de 2009

louise dahl-wolfe



Louise Dahl-Wolfe para Harper's Bazaar
Fotógrafa de moda dos anos 20 aos 50, ela influenciou Avedon, Penn e Horst. Ela nasceu em San Francisco e em 1923 começou a tirar retratos. Gostava de luz natural e fotos fora do estúdio.